Nova técnica de biópsia melhora deteção do cancro da próstata
Investigadores de todo o Reino Unido, liderados pela Universidade de Oxford, descobriram que uma nova técnica para realizar biópsias à próstata é melhor no diagnóstico do cancro da próstata, mas demora mais tempo a realizar e é mais dolorosa para os pacientes.

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Atualmente, o método mais utilizado para diagnosticar o cancro da próstata envolve uma biópsia, realizada sob anestesia local, que passa uma agulha pelo revestimento do intestino inferior (reto) para dentro da próstata, o que se denomina de via transretal.
Os investigadores e os médicos têm procurado formas de melhorar o processo de biópsia com agulha, principalmente devido à preocupação com infeções do processo. Uma opção tem sido mudar a rota pela qual a agulha passa para a próstata, que seria através da pele em vez de pelo revestimento intestinal.
No novo ensaio clínico, publicado no The Lancet Oncology, os especialistas recrutaram 1.126 homens do Reino Unido que estavam em investigação para possível cancro da próstata, que foram selecionados para realizar uma biópsia à próstata pela via tradicional, ou seja, transretal, ou pela nova via, através da pele, na área entre o escroto e o ânus, denominada transperineal.
O objetivo era descobrir qual a melhor abordagem para diagnosticar este cancro clinicamente significativo que pode exigir tratamento, e ainda registar o impacto das complicações como infeções, dificuldades na função sexual ou para urinar.
Em todos os casos, as biópsias foram realizadas sob anestesia local na clínica, e a equipa avaliou o quão bem os pacientes toleraram as biópsias através de questionários de resultados relatados pelo paciente (PROMs) imediatamente após o procedimento de biópsia e durante até 4 meses depois.
De acordo com o professor Richard Bryant, investigador chefe do estudo, os resultados mostram que a biópsia transperineal é melhor no diagnóstico do cancro da próstata clinicamente significativo, e que os homens que se submeteram a esse tipo de biópsia não precisaram de antibióticos, o que é importante para evitar a resistência a estes medicamentos. No entanto, as biópsias transperineais foram mais demoradas em comparação com as da via transretal, e os homens consideraram a nova biópsia mais dolorosa.
Este grande estudo randomizado veio provar que a biópsia transperineal é melhor em alguns aspetos – embora talvez não tanto quanto se pensava anteriormente – mas que também existem alguns problemas, particularmente relacionados com a dor causada pelo procedimento. Além disso, a nova biópsia também é mais cara.
A investigação apresenta evidências concretas sobre as duas técnicas atualmente disponíveis para realizar uma biópsia da próstata, o que contribui para informar melhor os urologistas e os pacientes sobre as compensações entre as duas técnicas na deteção do cancro da próstata.