ADOÇANTES ARTIFICIAIS, OS FALSOS SAUDÁVEIS

ADOÇANTES ARTIFICIAIS, OS FALSOS SAUDÁVEIS

DIETA E NUTRIÇÃO

  Tupam Editores

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Quer açúcar ou adoçante? Se é apreciador de café deve ouvir frequentemente esta pergunta. O excesso de açúcar é, inquestionavelmente, prejudicial à saúde e o uso de adoçantes artificiais, como substitutos do açúcar, oferece uma promessa tentadora: a mesma doçura sem as calorias.

No entanto, o perigo dos adoçantes, particularmente no que diz respeito à saúde humana a longo prazo, tem-se tornado um ponto de controvérsia entre profissionais de saúde, investigadores e consumidores.

Serão esses substitutos do açúcar realmente a opção “segura” e “saudável” que alegam ser? Numa altura em que existem cada vez mais dúvidas em relação ao consumo de adoçantes, é importante perceber que substância é esta.

Os edulcorantes, mais conhecidos como adoçantes, são substâncias adicionadas aos alimentos em substituição do açúcar clássico.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são alternativas aos açúcares, com baixas ou nenhumas calorias, geralmente comercializados como auxiliares na perda de peso ou na manutenção de um peso saudável, e são frequentemente recomendados como forma de controlar a glicemia em pessoas com diabetes.

Existem adoçantes naturais, extraídos de plantas ou frutos – como a sacarose, a frutose, a glicose e a lactose –, e adoçantes de base artificial, que são produzidos industrialmente, passando por diversas reações químicas. Estes últimos podem ser 200 a 700 vezes mais doces do que o açúcar de mesa, não contêm calorias, mas também não possuem nutrientes benéficos como vitaminas, fibras ou minerais.

Encontram-se em produtos como sumos, refrigerantes, refeições prontas, sobremesas, gelatinas, iogurtes, compotas, rebuçados e gomas, e alguns exemplos são: Acessulfame-K (E950), Aspartame (E951), Ciclamato de sódio (E952), Sacarina (E954) e Sucralose (E955).

Apesar de serem submetidos a uma avaliação toxicológica para estabelecer níveis seguros de ingestão, vários estudos têm questionado os seus efeitos a longo prazo.

O aspartame é um dos adoçantes mais comuns, estando presente em muitos alimentos “diet”.


Ao chegar ao sistema digestivo, liberta dois aminoácidos, o ácido aspártico e a fenilalanina, que é especialmente nociva para portadores de fenilcetonúria, condição genética que prejudica a absorção desse aminoácido. O acúmulo dessa substância está relacionada com doenças neurológicas, enquanto o consumo excessivo de aspartame pode causar náuseas, cefaleias e déficit de atenção.

A OMS colocou o aspartame na lista das substâncias potencialmente cancerígenas para humanos, referindo, contudo, que as evidências são limitadas, sendo necessários estudos mais aprofundados.

A sacarina tem um grande poder adoçante, sendo 200 a 700 vezes mais doce do que o açúcar. O perigo deste adoçante sintético deve-se ao sódio presente na sua composição. Em investigações com animais foram detetados efeitos prejudiciais à saúde, como risco de cancro, diabetes, obesidade e alteração no funcionamento dos rins ou fígado, mas não parecem acontecer em humanos. No entanto, o seu uso não se recomenda em crianças, grávidas e pessoas com problemas de retenção de líquidos, insuficiência renal, cálculos renais e perda da densidade óssea.

Bastante estável, a sucralose é o adoçante artificial mais consumido no mundo. Há indícios de que se torna especialmente nociva ao organismo quando aquecida. Uma investigação recente revelou que a queima de moléculas de sucralose a 90ºC durante pelo menos 15 minutos liberta substâncias tóxicas e cumulativas com potencial cancerígeno.

Alguns estudos também sugerem que o adoçante pode estimular o apetite e levar ao consumo excessivo de alimentos, que pode estar associado a alterações na composição da microbiota intestinal, que pode levar ao desenvolvimento do chamado “intestino permeável” e que contribui para a dependência de sabores doces.

Apesar de incluir azoto e enxofre na sua composição, o acessulfame-K consegue ser tão doce como o aspartame e tal como este não tem calorias. Mais uma vez, os efeitos a longo prazo em seres humanos não podem ser afirmados, por isso, consideram-se os perigos de acordo com estudos realizados em cobaias.

Assim, não se podem descartar potenciais riscos, como problemas endócrinos (na tiroide e no pâncreas) e o aumento de tumores benignos. O seu uso não está indicado para quem precisa de limitar a ingestão de potássio.

O ciclamato de sódio está cada vez mais presente nos alimentos, o que gera preocupações, na medida em que para um consumo seguro deve ser respeitado o limite de ingestão diário. E enquanto para a maioria dos adoçantes é preciso uma grande quantidade de alimentos para ultrapassar o valor, o ciclamato possui um limite pequeno – de apenas 11 mg por kg de peso.

Foi proibido em muitos países na década de 1970 por suspeitarem da sua relação com o cancro na bexiga, mas estudos posteriores derrubaram essa hipótese. Apesar de não ser absorvido pelo organismo, no intestino a sua conversão gera metabólitos que podem incidir em síndrome metabólica e resistência à insulina.

O perigo dos adoçantes é uma questão que exige uma consideração cuidadosa. Apesar de oferecerem uma alternativa sem calorias ao açúcar, os riscos para a saúde associados ao seu consumo regular estão a tornar-se cada vez mais evidentes na investigação científica.


Assim, pense duas vezes antes de pingar algumas gotas de adoçante artificial no seu café.


 

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